Não é à toa que chamam de pós-verdade. Hoje, rumores e histórias compartilhadas na internet tomam tamanha proporção que temos a impressão de estar diante de algo verídico e baseado em fatos quando, na verdade, são mentiras ou teorias da conspiração. As pessoas espalham esse tipo de coisa para se autopromover ou até surfar na onda do assunto do momento tentando parecer que são informadas, sabem um segredo que ninguém quer que você saiba.
A ignorância e a desinformação são chamativas e atrativas. Muitas vezes, são ações deliberadas para enganar o público. Os mentirosos estão cada vez mais especialistas em mecanismos de autoproteção para que suas inverdades sejam vistas pelos demais como se fossem evidências de algo grave que todos querem esconder.
Esse fenômeno, infelizmente cada vez mais prevalente, se torna ainda mais voraz quando o alvo é a comunidade judaica. Essas manifestações aumentaram drasticamente nos últimos anos, considerando o contexto mundial, especialmente depois do maior massacre de judeus desde o Holocausto. Israel não só foi vítima de um terrível ataque terrorista em 7 de outubro de 2023 e passou a ser também algo de constantes ataques por foguetes e também pelo ar, mar e terra.
O ódio dispensado aos judeus é desproporcionalmente grande. Lembre quantas postagens antissemitas ou “antissionistas” você tem visto nesses últimos anos. Os judeus representam apenas 0,2% da população mundial e 0,06% da população brasileira.
Direcionar críticas e ódio aos judeus se tornou corriqueiro e fácil. Ao invés do aprofundamento em questões globais, que são complexas e muito específicas, teorias da conspiração tomam cada vez mais uma proporção assustadora. Talvez haja a intenção de que, se contada várias vezes, a mentira poderia virar verdade, assim como pregou o então ministro da Propaganda Nazista Joseph Goebbels.
Na semana passada vimos um dos piores exemplos disso, com uma atitude que requer consequências. O escritor Jessé Souza publicou um vídeo no último dia 9 de fevereiro, no qual comentava sua ‘’interpretação’’ sobre o caso de Jeffrey Epstein, notório por seus crimes sexuais terríveis contra inúmeras vítimas menores de idade.
Depois da tentativa pífia de atribuir inúmeras teorias da conspiração infundadas ao caso, sem nenhum embasamento factual e usando sua imaginação criativa, Jessé foi pressionado e apagou o vídeo em que incitava uma ligação entre o caso Epstein, a comunidade judaica e o Estado de Israel. Esta foi mais uma investida para repetir mentiras o suficiente até que elas aparentem ser verdades.
Infelizmente, ele resolveu publicar um novo vídeo no qual tentava se retratar e se desculpar por atribuir o caso Epstein a um suposto grupo de lobby judaico mundial. Porém, Jessé somente redobra suas falsas acusações, fazendo comparações que são a mais clara face do antissemitismo segundo os critérios da IHRA (Aliança Internacional pela Memória do Holocausto). Antissionismo é uma das formas de manifestação de antissemitismo, bem como as comparações entre o Estado de Israel e o regime nazista.
O caso de Epstein é constantemente discutido em Israel, sendo criticado por toda a gama política e todos os lados da sociedade israelense. Os crimes de Epstein não representam a comunidade judaica mundial, muito menos o Estado de Israel.
Além disto, há duas graves injustiças contra a memória das vítimas do holocausto. A primeira são tentativas de diminuir a escala e importância do genocídio sofrido pelo povo judeu durante a Segunda Guerra Mundial, onde um terço da população judaica foi brutalmente assassinada. A outra é o requinte de usar contra os judeus os termos especificamente criados para descrever esses crimes. Aliás, o termo genocídio foi criado justamente para descrever o holocausto, já que não havia palavra para o horror inédito na história.



