Vivemos uma época de idiotia política. Verdade seja dita, nunca tivemos muita sorte com mandatários pelas bandas de cá. Todos nós temos desilusões com pessoas que pareciam sérias e de princípios mas acabaram descambando. Isso não só na política, a vida tem muitas ocasiões assim. Na política, desconfio que bem mais.
Lord Acton dizia que o poder corrompe e o poder absoluto corrompe absolutamente. Temos instituições frágeis e uma tradição de poderosos que não aceitam regras e limites. Por isso sempre foi esporte nacional xingar político, falar mal do governo, reclamar dos políticos. De todos em geral.
Reclamei muitas vezes das pessoas em quem votei e agiram de forma que não gostei. Cresci vendo adultos fazendo isso em todos os espectros políticos. Desde os tios empresários de direita até os primos com camiseta de Che Guevara, todos sentiam ter o direito de cobrar o político em quem votaram.
Talvez os escândalos sejam tantos que perdemos altivez, vergonha na cara e esperança. Estamos tratando os políticos como aquela mãe que, depois de muito se empenhar e acreditar, desistiu de consertar o filho bandido e passa a mão na cabeça. Afinal, ele é assim mesmo, o mundo é assim mesmo, não há o que fazer.
Surgiu o fenômeno social do fã de político, que eu costumo chamar carinhosamente de paquita de político ou pet de político. Está ali em condição inferior e subalterna apenas para aplaudir e agradar. Aqui não estou falando de escolha de voto, de um fenômeno que independe dela.
Também tem sido comuns pensamentos do tipo: “Quem votou no Bolsonaro não pode reclamar da pandemia”, “quem votou no Lula não pode reclamar de imposto”, “quem é isentão não pode reclamar de censura”. Isso não é política, é seita. Na política, a gente pode reclamar de todos e deve reclamar principalmente daqueles em quem depositamos nosso voto. Se não cumprem o papel de nos representar, creio que é dever cobrar para que se consertem.
Só que no meio disso surge a história do Daniel Vorcaro e do Banco Master. Eu ainda tenho muitas dúvidas sobre como essa personalidade obscura atinge esse patamar financeiro e sai comprando tudo o que estava à venda na estrutura de poder do Brasil. Creio que essa história ainda tem muitos capítulos.
Jair Bolsonaro denunciou o escândalo do Banco Master num post no X em 2024, quando técnicos da Caixa Econômica Federal foram demitidos por terem impedido que o banco público pagasse o rombo do Master, valor de R$ 500 milhões. O ex-presidente disse que era o sistema agindo.
Ninguém vai acreditar que Flávio Bolsonaro não sabia um ano depois do que o próprio pai denunciava. Pior é a traição à direita, que poderia ter uma candidatura mais competitiva caso ele não tivesse atravessado o samba. Quando Flávio se lançou candidato, a Polícia Federal já tinha apreendido os celulares de Vorcaro, com quem ele trocou essas mensagens constrangedoras.
As pessoas de bem da direita tomaram um chacoalhão. As pessoas de princípios obviamente ficam assustadas com a negativa veemente de conhecer Vorcaro e horas antes negar o envolvimento com dinheiro. Sobre o que mais ele é capaz de mentir? Ele é, na verdade, filho do Lula? E os outros irmãos? E esse povo todo do filme?
Se vão ou não votar em Flávio contra Lula são outros quinhentos. Mas me assusta essa reação de minimizar ou defender coisa errada, coisa que a direita com toda razão do mundo condena na esquerda. O país ficou mais subserviente ou, de tanto ver glamurização de bandido na mídia, agora acha tudo normal?
Eu fico imaginando o que ainda tem nesses celulares do Vorcaro. Que conversas teve com seus contratados, nossos ex-ministros Ricardo Lewandowski e Guido Mantega? Como foram as conversas até conseguir quatro reuniões com o presidente Lula? E as relações com o STF? O que tem lá com relação ao contrato da esposa de um ministro e do resort do outro?
Não vou negar que minha principal curiosidade é o farto material em vídeo das festas promovidas por Daniel Vorcaro. Chegamos ao absurdo de ter festa em homenagem a ministro do STF em que convidados ganhavam um broche indicando que a diária da prostituta de luxo estava paga como presente.
Tem também a tal da casa em Trancoso, as festas em que nenhum celular podia entrar. Nos bastidores da política se fofoca muito sobre. Tem até bolão de quais as personalidades da República aparecem nesses vídeos assim como vieram ao mundo.


