Neste 24 de fevereiro a invasão em larga escala da Ucrânia pela Rússia completa quatro anos de horror e desafio à ordem global. O que o Kremlin planejou como uma “operação relâmpago” transformou-se na maior prova de resiliência democrática do século XXI. Sob o fogo de uma autocracia imperialista, a Ucrânia não apenas defende seu solo, atua como o último baluarte dos valores ocidentais e da integridade territorial na Europa.
O rastro deixado pela agressão russa é uma mancha indelével na história recente. Estima-se que as baixas totais — entre mortos e feridos — já superem a marca de 2 milhões de pessoas, com um custo humano civil dilacerante. Mais de 100 mil crimes de guerra foram documentados, incluindo as execuções sumárias em Bucha, o cerco medieval a Mariupol e o sequestro sistemático de milhares de crianças ucranianas — um ato de genocídio tipificado pelo Direito Internacional.
Apesar do terror, a resiliência ucraniana é absoluta. O país converteu cada cidadão em um bastião de resistência. No entanto, o preço social é imenso: 6,5 milhões de ucranianos permanecem refugiados, compondo o maior êxodo europeu desde 1945. É uma nação que luta enquanto sangra, mantendo sua identidade viva sob bombardeios deliberados a escolas e hospitais.
A economia ucraniana foi alvo de uma estratégia de terra arrasada. Com a perda de cerca de 30% do PIB e a destruição de infraestruturas vitais, o custo estimado para a reconstrução ultrapassa os US$ 524 bilhões. Especialistas são enfáticos: mesmo com apoio internacional massivo, a Ucrânia precisará de pelo menos duas décadas para recuperar seus níveis de desenvolvimento pré-guerra. A reconstrução não será meramente física, mas uma reestruturação total para desvincular-se de vez da órbita de um vizinho agressor.
Neste cenário de clareza moral, a postura do Brasil nos últimos governos revela uma preocupante erosão de princípios. Sob o pretexto de uma “neutralidade” que beira a conivência, Brasília tem evitado condenar a Rússia de forma enfática e pública. Essa ambiguidade é uma afronta direta aos Direitos Humanos e ao Direito Internacional, pilares que o Brasil outrora defendeu com brio.
Tal posicionamento é, acima de tudo, um desrespeito à vibrante comunidade ucraniana no Brasil, composta por mais de 600 mil descendentes, concentrados majoritariamente no Paraná. Ignorar a agressão russa em fóruns internacionais, como o BRICS, em troca de pragmatismo comercial ou alinhamento ideológico, diminui a estatura diplomática brasileira e ignora o sofrimento de famílias que veem a terra de seus antepassados ser massacrada.
Ao longo desses 1.460 dias, a Ucrânia não apenas sobreviveu, o país se tornou o escudo da Europa, resistindo com sangue de seus filhos nos campos de batalha. A Ucrânia ensina ao mundo que a liberdade não se negocia. Para o Brasil, resta a urgência de realinhar sua política externa com a ética e a justiça. Não há equidistância possível entre agressor e vítima. Reconhecer a soberania ucraniana e condenar o imperialismo russo não é uma escolha política, é um imperativo moral. Por isso, quatro anos depois seguimos com a mesma mensagem: Força, Ucrânia.


