Taiwan e Organização Mundial de Saúde

Mário Machado

Mário Machado

A Organização Mundial de Saúde é uma Organização Internacional formada por 194 estados-membros, parte do sistema das Nações Unidas que objetiva ser um fórum de Liderança e Cooperação em temas de saúde, bem como gerir emergências, estabelecer normas e padrões, prestar assistência técnica, coletar dados e fomentar pesquisas. 

A recente epidemia de Covid-19 deixou claro as dificuldades de coordenação internacional em caso de emergências globais e demonstrou também a importância da pesquisa científica e da coleta e difusão de informações e boas práticas de saúde. 

A gravidade da epidemia e a severidade das ações tomadas em seu combate também colocou a OMS no centro de debates políticos partidários em vários locais do mundo.

Esse debate, contudo, tem um aspecto que não tem sido colocado em discussão pela opinião pública mundial. A insistência da China na adoção da política de “Uma Só China” limita uma participação efetiva, de Taiwan, em um fórum com impacto direto na vida de milhões de pessoas, sobretudo,  levando em conta a capacidade tecnológica taiwanesa. 

Saúde Pública é tema muito importante para que justificativas geopolíticas sejam aplicadas para causar diminuição da capacidade global de resposta aos desafios que afetam a expectativa de vida da população mundial, e também sua qualidade de vida. 

Dentre as contribuições potenciais de Taiwan que podem surtir efeito positivo se adaptados e replicados está o programa 888 de controle de Doenças Crônicas Não Transmissíveis, como diabetes, hipertensão entre outras condições, que pretende atingir 80% desses pacientes, garantir que 80% deles controlem com eficácia suas condições, fazendo com que 80% dos pacientes nessa rede apresentem estabilização ou melhora de seus quadros clínicos. 

Segundo dados da própria OMS 41 milhões de pessoas morrem anualmente por causa dessas Doenças Crônicas Não Transmissíveis, o que também gera um impacto econômico considerável. 

O programa funciona aliando inovações tecnológicas como Inteligência Artificial em Saúde, com ferramentas de tecnologia e protocolos de detecção e aconselhamento. Esse sistema de atenção primária pode ser expandido para outras doenças, ao redor do mundo. 

Outro campo de inovação em saúde tem sido a digitalização do cuidado de idosos, com sensores de mobilidade, robótica e monitoramento em tempo real em casas de repouso e instituições semelhantes, o tema do envelhecimento populacional é cada vez mais relevante para países como Brasil, além das economias mais desenvolvidas do mundo.

Dentre as experiências com potencial de contribuição com o debate global, Taiwan disponibiliza a seus cidadãos ferramentas de gestão digital da saúde tanto aplicativos quanto plataformas que fornecem informações de saúde personalizadas, fortalecem a consciência sanitária e estimulam o autocuidado. O que amplia a autonomia de seus cidadãos no controle da própria saúde, complementando o trabalho dos profissionais de saúde. O potencial de contribuição passa também por biossegurança, vigilância epidemiológica, inovação na produção de insumos e novas tecnologias e inteligência artificial aplicada à saúde. 

Em um mundo marcado por pandemias, envelhecimento populacional e crises sanitárias transnacionais, excluir capacidades tecnológicas e experiências bem-sucedidas de Taiwan da cooperação internacional se configura como um risco para a saúde global

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