Todos os posts de Madeleine Lacsko

Madeleine Lacsko

Sobre Madeleine Lacsko

Jornalista há 26 anos, especializada em Cidadania Digital, colunista do UOL e está à frente do projeto Cidadania Digital na Gazeta do Povo. Atuou como Consultora Internacional do Unicef Angola na campanha que erradicou a pólio no país, diretora de comunicação da Change.org para a América Latina, assessora no Supremo Tribunal Federal e do presidente da Comissão de Direitos Humanos da Alesp. Trabalhou na Jovem Pan e Antagonista.

Foto: Ricardo Stuckert/PR

Relação do Brasil com a China de Xi Jinping alcança um novo patamar

O Brasil, sob o governo Lula, já escolheu de qual lado ficará na disputa geopolítica mundial entre democracias e autocracias. E a resposta é clara: estamos alinhados ao eixo autocrático. A decisão foi consolidada com uma série de acordos que colocam o país em sinergia com o projeto global da China, mesmo que isso seja convenientemente disfarçado por discursos sobre interesses meramente comerciais.

A nova dinâmica foi celebrada pela embaixada chinesa, que não perdeu tempo em anunciar que as relações entre Brasil e China atingiram “um novo patamar”. Isso inclui a formação de um grupo de trabalho para alinhar as políticas de desenvolvimento brasileiras à Nova Rota da Seda, o plano de expansão econômica e política do governo chinês. A adesão oficial não foi anunciada, mas os mais de 40 acordos assinados, incluindo áreas sensíveis como inteligência e satélites, já indicam o caminho.

O discurso público do governo brasileiro, no entanto, joga com a ambiguidade. A narrativa oficial tenta afastar preocupações, enfatizando a natureza “comercial” da parceria. É a típica estratégia de soft power usada pelo governo chinês: sugerir um afastamento para não alarmar, enquanto os fatos mostram o contrário. Quem questiona esse alinhamento é rapidamente taxado de exagerado ou bolsonarista, como se fosse impossível criticar a aproximação com uma ditadura sem cair em extremos ideológicos.

O que muda?

Mas o que realmente muda com esse novo alinhamento? Não é apenas uma questão de acordos econômicos. É sobre os valores que o Brasil está disposto a endossar.

A China é uma autocracia que reprime dissidentes, proíbe religiões, mantém campos de concentração para a minoria Uigur e censura qualquer oposição. Essa postura ficou evidente durante o G20, realizado em território brasileiro, quando seguranças chineses foram rápidos ao intervir com manifestantes e jornalistas. E o governo brasileiro? Permaneceu calado.

Essa omissão não é apenas simbólica, ela reflete o novo posicionamento estratégico do Brasil. Ao ignorar ações antidemocráticas em seu próprio território, o país dá um recado claro sobre suas prioridades. Não se trata apenas de pragmatismo econômico, mas de uma escolha ideológica: sacrificar a transparência e os valores democráticos em nome de benefícios comerciais e alianças políticas convenientes.

“Anti-patriotismo”?

E quem critica essa aproximação com autocracias? Os apoiadores do governo rapidamente transformam qualquer crítica em uma afronta ao Brasil. A estratégia é conhecida: alinhar discordâncias a um discurso de “anti-patriotismo”, como se questionar relações com ditaduras fosse um ataque ao país e não uma defesa de seus princípios.

Paralelamente, a oposição política parece incapaz de formular uma resposta eficiente. Em vez de um discurso claro e fundamentado, opta por uma retórica do “eu avisei”, que mais parece birra de quinta série do que uma defesa séria da democracia.

O alinhamento do Brasil com a China de Xi Jinping não é um fato isolado, mas parte de um movimento maior que redefine o papel do país no cenário global. A questão não é apenas econômica, mas moral e estratégica. O governo Lula deve ser transparente sobre o custo dessa escolha porque os impactos não se limitam a balanças comerciais ou parcerias de infraestrutura. Eles dizem respeito ao tipo de nação que o Brasil deseja ser.

Democracia não se defende com boas intenções ou discursos genéricos. Ela exige ação consistente, clareza e coragem para enfrentar as consequências de escolhas difíceis. O tempo dirá se o Brasil optará por isso ou se contentará com a conveniência de alianças que comprometem os valores que uma democracia deveria sustentar.

O retorno triunfal de Trump e a humilhação da militância woke

Há algo de fascinante, quase tragicômico, na forma como as elites progressistas dos últimos anos se posicionam como sinônimos de democracia, virtude e justiça social. “Nós somos a democracia”, proclamam. Mas qualquer força política que se autointitule dona desse conceito está, na verdade, cavando sua própria cova. Democracia não aceita monopólios, nem mesmo o da virtude.

Os chamados woke, que dominam o debate público nas elites progressistas, não são apenas autoritários, são insuportáveis. A tentativa de encapsular as minorias numa “senzala ideológica” onde todos devem marchar no mesmo ritmo e repetir o mesmo discurso não só é um fracasso estratégico como uma traição à própria ideia de diversidade.

Negros, latinos, mulheres, gays e trans precisam pensar igual. Quem define como pensar? A panelinha de sempre. O clube do “todEs”, liderado por militantes que se comportam como meninas más de colégio rico, armadas com seus gritos de “racista!”, “fascista!”, “homofóbico!”. Quem ousa desviar minimamente do script é cancelado sem piedade.

E foi precisamente essa postura que levou o woke ao chão – humilhado, debochado e ignorado – nas eleições mais recentes dos Estados Unidos. Donald Trump não só sobreviveu ao apocalipse moral que previram, como expandiu seu eleitorado em minorias que, ironicamente, os progressistas juravam representar. O aumento do voto latino para Trump é um tapa na cara de quem achava que podia determinar o que cada grupo deveria pensar.

E as elites não entenderam nada. “Como pode alguém votar no Trump?” Essa pergunta, repetida em tom de indignação por muitos, revela mais sobre a incapacidade cognitiva de quem a formula do que sobre as escolhas do eleitorado.

Eis o ponto: você pode não gostar de Trump, mas precisa ser intelectualmente honesto para entender por que alguém vota nele. Se você não consegue, é porque está tão preso à sua bolha de virtude que prefere acreditar que o mundo é burro ou manipulado. É mais fácil culpar fake news ou a “maldade inerente” das pessoas do que encarar o fato de que, talvez, o problema seja você.

A obsessão identitária que contaminou o progressismo fez com que minorias fossem vistas não como indivíduos com vozes próprias, mas como blocos homogêneos que devem seguir o dogma imposto pelos iluminados do woke. É um projeto autoritário disfarçado de empatia. E o mais irônico? Quem mais odeia os woke são as próprias minorias que eles dizem defender.

O partido democrata deu espaço demais para essa maluquice e agora paga o preço. A Kamala Harris até que tentou, manteve distância do todEs na campanha. Mas a torcida, ah, a torcida é um desastre. Os woke funcionam como aquele fã-clube tóxico que arruína a imagem de qualquer famoso. Eles acham que estão salvando o mundo, mas estão apenas arrancando a soco espontaneidade das pessoas em nome de uma suposta virtude coletiva.

E, quando os resultados vêm, a surpresa é inevitável. Eles não percebem que são odiados. Que suas posturas são vistas como arrogantes, condescendentes e absolutamente insuportáveis. A resposta para o desastre? Trocar o povo. Se o povo não concorda com eles, o problema é o povo. Eles nunca têm culpa. Afinal, possuem o monopólio da virtude. Se estão sendo rejeitados, só pode ser por fake news, manipulação ou pela maldade intrínseca do outro.

E então devemos cancelar o woke? Não defendo que sejam cancelados, eles têm o direito de falar e de viver segundo seu sistema de crenças como qualquer seita. Defendo que sejam reconhecidos pelo que são: uma seita radical de filhinhos de papai que confundem militância com bullying. Eles podem existir, podem gritar seus “todEs” à vontade. Só não podem ser levados a sério. Não mais.

O que vimos nos Estados Unidos não foi só uma vitória de Donald Trump. Foi o maior tombo do woke. Uma humilhação pública. Quem sabe, um marco para uma mudança de ventos. Ninguém aguenta mais ser julgado por meninas más de colégio rico fantasiadas de militantes.

Lula é Kamala. Bolsonaro é Trump. E daí?

Se há algo que parece passar despercebido no calor das discussões políticas no Brasil, é a irrelevância absoluta das opiniões de Lula e Bolsonaro sobre as eleições dos Estados Unidos. Sim, isso mesmo: o que eles acham de Kamala Harris ou Donald Trump não tem impacto algum em Washington. Nenhum.

Vejamos o cenário atual. Lula, o presidente da República, declara seu apoio a Kamala como se isso fosse mover algum ponteiro na eleição norte-americana. Bolsonaro, fiel ao seu estilo, expressa abertamente seu apreço por Trump, como se os eleitores americanos estivessem ansiosos para saber o que ele pensa. Mas, honestamente, e daí? Não importa se o presidente do Brasil é fã de Kamala, Trump, ou até do Pato Donald. Lá nos Estados Unidos, isso é só ruído.

A questão é que o público brasileiro, ou pelo menos parte dele, parece incapaz de entender essa desconexão. Importamos o embate Lula versus Bolsonaro para dentro de temas internacionais como se isso fosse relevante para o eleitor norte-americano. A ilusão é de que, se um dos nossos líderes manifesta apoio a um candidato estrangeiro, ele realmente acredita estar influenciando alguma coisa. Não está. Essa dinâmica seria diferente se estivéssemos falando de um país vizinho, na América Latina. Um comentário do Brasil sobre a eleição argentina, ou mesmo paraguaia, poderia ter ressonância. Mas sobre uma potência como os Estados Unidos? É um jogo de aparências. E quem se ilude com ele é só o brasileiro.

Para ilustrar a inutilidade desse jogo, imagine se estivéssemos falando das eleições no Brasil, mas o apoio viesse de Angola. Digamos que o presidente angolano, João Lourenço, publicasse um vídeo apoiando Lula em nossa eleição presidencial. Isso mudaria o seu voto? É óbvio que não. E é óbvio que a opinião de Lula ou Bolsonaro sobre Trump ou Kamala não muda um único voto americano.

Ainda assim, seguimos nessa. Como se o mundo fosse acabar dependendo de quem ocupa a Casa Branca. “Kamala vai confiscar direitos, Trump vai erguer o muro”. Mas, vamos ser francos, o que realmente mudou quando Trump foi presidente? Ele tentou muita coisa, mas os guardrails da democracia americana, construídos e mantidos ao longo de duzentos anos, seguram qualquer um – até mesmo quem queira ou finja querer explodir o sistema. Nos EUA, o sistema é maior que o presidente. O Congresso, a Suprema Corte e as leis se mantêm intactos, segurando as rédeas da democracia. Algo que, convenhamos, não temos por aqui.

Aqui, no Brasil, a nossa democracia é frágil. Mudamos de Constituição como quem troca de roupa, o que coloca em perspectiva o quanto somos inconstantes em nossas “aventuras democráticas”. Nos EUA, há segurança estrutural. Lá, quem passa da linha, seja presidente ou peão, paga. O caso do Capitólio mostrou isso. Quem ousou desrespeitar o sistema foi punido e não foi um teatro para mostrar ao mundo “ficha limpa”. A punição foi para valer, sem essa história de salvar peixe grande e fazer show com os pequenos.

Mas, ainda assim, muitos aqui insistem em romantizar a eleição americana, como se tivéssemos que escolher lados e como se qualquer um dos lados fosse, de fato, nos representar. Sinto muito desapontá-los, mas o próximo presidente americano será irrelevante para nós. E não porque a política externa dos Estados Unidos é uma fantasia, mas porque, para eles, o que importa é o próprio sistema. Seja Trump, Kamala ou quem for, a democracia americana segue firme. Ela não precisa de salvadores; ela precisa de respeito ao que foi construído.

Então, meu conselho? Acompanhemos o show de camarote, mas sem apego emocional. No Brasil, há quem se emocione com tudo isso, com cada palavra de Lula ou Bolsonaro sobre política americana .Mas emoção, em política, nunca deu certo. E, para ser sincera, essa importação de brigas estrangeiras só serve para distrair do que realmente importa aqui.

É preciso ouvir com atenção os cineastas que se manifestaram contra a cultura woke

Chegou a hora de botar o pé na porta da cultura woke, que vem tentando calar quem ousa discordar de seus preceitos. Sim, eles vão te acusar de racista, homofóbico, transfóbico, fascista, extrema-direita e vão tentar te cancelar. Vão querer que você perca seu emprego, seu espaço. Mas a verdade é que esse movimento identitário já foi longe demais. É um movimento de mercado, de publicidade, que não atende aos interesses do povo brasileiro. Na verdade, quando essa galera woke entra pela porta, os direitos das minorias saem pela janela.

Os cineastas Newton Cannito e Josias Teófilo, que escreve na Crusoé, lançaram um manifesto sobre o tema. É preciso ler, compreender e tomar posição.

A contaminação é visível: a universidade já foi tomada, o meio artístico também. E o que temos como resultado? Uma cultura brasileira afetada, enfraquecida, e desprezada por aqueles que dizem defendê-la. Para essa turma, tudo o que o povo gosta é cafona. Eles se colocam como defensores das minorias, mas a realidade é que suas causas são desconectadas das necessidades reais do brasileiro. Enquanto eles tentam impor uma visão idealizada e elitista, o verdadeiro Brasil é desprezado.

E os judeus?

Veja o exemplo que trouxe no Narrativas Antagonista, contado por Patty Silva. Ela fala de uma professora negra, responsável por organizar um calendário de datas comemorativas inclusivas em seu departamento. Ela fez questão de incluir todos os grupos étnicos, religiosos e sociais, garantindo representatividade. Mas quando colocou um feriado judaico na lista, a turminha woke, que já mostrou sua face antissemita, a acusou de supremacismo branco. Conseguiram demitir a professora. E esse é o ponto crucial: o movimento identitário não busca inclusão, busca dominação. Quem discorda é eliminado.

O problema é que as pessoas estão levando esse discurso a sério. O exemplo que dou aqui do calendário de datas é só um entre tantos. Vejam o que aconteceu hoje: a Advocacia-Geral da União organizou um seminário sobre religiosidade africana, mas deixou de fora o cristianismo e o islamismo, seguidos por quase 90% do continente africano. Preferiram focar no que o imaginário de uma elite branca, urbana, acha que é a África. Essa versão idealizada e racista de África, que só existe na cabeça dessa gente.

Muita gente acredita que basta ignorar esses militantes woke, e que, se não dermos atenção, eles vão desaparecer. Mas isso é ingenuidade. Eles já tomaram conta da máquina pública, dos editais de cultura, das decisões políticas que afetam nosso cotidiano. E estão mudando tudo para um sistema autoritário.

E os cristãos?

Os editais de filmes, por exemplo, já não são mais decididos com base no mérito do roteiro ou na conexão com a cultura brasileira. Como Newton Cannito bem apontou, não há chance de um filme com temática cristã passar nesses editais, apesar de a maioria da população brasileira ser cristã. Mas se o filme for sobre religiões de matriz africana – ou pelo menos o que essa elite acha que é matriz africana – ele passa com louvor. Não estamos em um estado laico? Não deveríamos dar espaço para todas as religiões? Pois é. Mas a regra parece não valer para todos.

Isso já contaminou o teatro, o cinema, a música. A qualidade da arte despenca, porque o foco deixou de ser a arte pela arte. O que vemos agora são seminários disfarçados de arte, com um discurso panfletário que só interessa a uma elite que prega inclusão da maneira que só serve a eles mesmos.

O movimento woke não é militância. Ele é uma estratégia de marketing, um produto da publicidade que tomou o lugar da verdadeira luta por direitos. Em vez de incluir, esse movimento busca aniquilar todos que discordam de suas ideias que, convenhamos, são baseadas em uma visão elitista e descolada da realidade do brasileiro comum.

Passou da hora de começarmos a nos posicionar. Se você trabalha em uma empresa que tem um desses programas de diversidade, você já sabe do que estou falando. A verdadeira inclusão não passa por seguir cegamente uma agenda ditada por uma elite, mas por respeitar a pluralidade real do povo brasileiro.

Esquerda defende e glorifica Sinwar, líder do Hamas

Estamos cometendo um erro grave ao subestimar o potencial de radicalização que um grupo como o PCO pode trazer à sociedade. Sempre que surge a questão – seja exaltando terroristas, seja organizando passeatas com suásticas – a resposta é previsível: “Ah, mas é o PCO. Quem vai levar isso a sério?” O problema é que essa visão de que se trata de uma extrema esquerda caricata, quase folclórica, impede de enxergar o verdadeiro perigo.

Existe uma crença popular que se tornou quase um mantra: “Não vou bater palma para maluco dançar.” A ideia é que, se você ignora o comportamento absurdo, ele simplesmente desaparece. Mas o que poucos percebem é que, nesse caso, o “maluco” dança com ou sem palma. Se você não interrompe o espetáculo, mais “malucos” começam a dançar. E chegamos ao ponto em que a indiferença da sociedade pode se tornar fatal.

Pequenos grupos radicais têm o poder de radicalizar. E não estamos falando de teorias. Casos concretos de terrorismo no Brasil, como aqueles planejados por dois indivíduos radicalizados pelo Hezbollah, surgem exatamente de ambientes onde grupos minoritários ganham terreno. Eles não fazem parte de grandes partidos, não têm o mesmo alcance, mas operam nas sombras, radicalizando o suficiente para causar tragédias. Estamos subestimando o impacto desses movimentos.

A radicalização pode parecer distante, coisa de um grupo pequeno, mas isso não impede que eles causem grandes estragos. Recentemente, houve casos em que jovens brasileiros foram mentorados por um ano, por criminosos no exterior, para planejar ataques em escolas. E fizeram o ataque. Grupos pequenos, com discursos violentos, podem ser altamente eficazes em radicalizar.

O PCO, a extrema esquerda, não está fora desse jogo. Tanto a extrema esquerda quanto a extrema direita se alimentam de discursos violentos, sectários, e o PCO está evoluindo rapidamente nessa direção. Desde outubro do ano passado, o grupo passou de relativizar ataques terroristas para glorificar terroristas como mártires, exigindo mais mártires. Estão nas ruas com suásticas e, incrivelmente, nada aconteceu. O problema não é só o PCO. O que vemos é uma normalização desse discurso violento.

Há uma parte da militância que, até pouco tempo atrás, era composta por “Che Guevaras de apartamento.” Mas hoje, essas mesmas pessoas estão à beira de fazerem discursos neonazistas, se não o fizeram ainda. O que escrevem, o que dizem, como se comportam em relação aos judeus, nada disso parece mais pertencer a uma sociedade civilizada. Estamos vivendo algo que vai além dos limites do aceitável, mesmo dentro da precariedade de nosso sistema.

Por outro lado, temos o governo Lula. Ele se aproxima cada vez mais de regimes ditatoriais, normalizando o que deveria ser inaceitável. A situação chega ao ponto de o Talibã querer se juntar ao BRICS. E o que vemos? A primeira-dama, “empoderada,” sentada no Catar, conversando com a terceira mulher de um sheik de um país que não respeita os direitos das mulheres. O silêncio das feministas é ensurdecedor.

Estamos falando de uma mudança estrutural. O Brasil, que sempre foi neutro e um grande mediador em conflitos internacionais, agora toma partido de regimes que oprimem mulheres, minorias, e que glorificam a violência. O PCO é apenas a ponta de lança. Eles talvez digam o que outras alas da esquerda não podem dizer abertamente. É uma possibilidade. Nesse raciocínio, aos poucos, o discurso vai se tornando normal, até o ponto em que o radicalismo deixa de ser algo marginal e passa a ser aceito dentro da esquerda.

O problema é que, uma vez que essa porta estiver arrombada, colocar um trinco será impossível. Não estamos mais no momento de “abrir os olhos”, esse tempo já passou. E cada dia que ignoramos o PCO e a crescente radicalização de uma parte da militância, mais profundo será o buraco que cavamos para nossa própria sociedade.

O governo Lula está boicotando negócios de judeus? É urgente uma explicação clara

As declarações do ministro José Múcio Monteiro sobre o desrespeito aos resultados de licitações por questões ideológicas são, sem exagero, das mais graves que já ouvi em toda a minha trajetória na cobertura política. O que ele descreveu em seu desabafo contra interferência ideológica em licitações não é apenas uma irregularidade, é uma afronta direta aos princípios básicos de qualquer democracia.

Primeiro, temos a burla da licitação em si. Depois, a justificativa. Em um dos casos, da venda de equipamentos que não necessitamos e são de manutenção cara, há o medo de que os equipamentos vendidos à Alemanha possam acabar nas mãos da Ucrânia e sejam usados contra a Rússia. Putin virou parceiro estratégico do Brasil sob o governo do PT. O comércio com a Rússia foi elevado a um novo patamar após a invasão da Ucrânia, mostrando uma aliança que vai muito além de interesses econômicos, é ideológica.

Mas o problema é ainda mais profundo e toca em uma questão explosiva: o antissemitismo. Quando o ministro fala sobre Israel ganhando a licitação e o governo barrando por “questões ideológicas,” o que ele realmente está insinuando? Que os judeus não podem vencer porque isso poderia desagradar seus aliados ou chocar sua narrativa pró-Hamas? É uma lógica perigosa que ecoa um histórico sombrio.

Lula já fez várias declarações que beiram o antissemitismo desde o início do conflito no Oriente Médio. Se ele pessoalmente acredita ou não nessas ideias, pouco importa. O que importa é que, como líder de uma nação, suas palavras e ações têm consequências reais para a comunidade judaica no Brasil. Historicamente, sabemos que discursos assim são os primeiros passos para isolar e perseguir uma minoria. Quem acha que não tem nada com isso lembre-se: começa com os judeus, termina em você.

O ministro José Múcio foi claro ao dizer que o governo estava disposto a boicotar os negócios de judeus, seguindo uma lógica ideológica perversa. A história é testemunha de que atitudes como essas foram a porta de entrada para atrocidades inimagináveis. A perseguição econômica aos judeus foi o início do caminho para o Holocausto na Alemanha nazista. Não estou dizendo que Lula é nazista nem copia o nazismo. Estou dizendo que, quando um governo opta por práticas discriminatórias, ele brinca com o fogo mais perigoso.

O que é mais assustador do que as declarações em si é o silêncio cúmplice de parte da mídia, dos parlamentares e de quem deveria levantar a voz contra essa insanidade. A mesma esquerda que se diz defensora dos direitos humanos parece fazer vista grossa para o antissemitismo quando ele se encaixa nas suas agendas políticas. Como justificar esse apoio a regimes que reprimem mulheres e minorias, enquanto aqui fingem ser os paladinos da justiça e igualdade?

Não é de hoje que a esquerda identitária flerta com ideias antissemitas. Eles jogam judeus na caixinha dos “opressores” porque são brancos, ricos e colonialistas. Não importa que não sejam, a pauta identitária é divorciada da realidade dos fatos. Em nome dessa narrativa, qualquer ataque aos judeus parece ser justificado, o que é uma aberração moral e política.

Esse antissemitismo que permeia a base ideológica de alguns grupos não deveria jamais ter sido tolerado. Agora, porém, ele parece estar enraizado no coração do governo, e isso é perigosíssimo. O Congresso Nacional precisa acordar, agir com urgência, antes que o silêncio se torne cúmplice desse absurdo. Estamos diante de um desafio moral que não pode ser ignorado.

Resta saber: quem terá coragem de tomar uma atitude?

Bolsonaro teve medo de peitar Marçal, e Malafaia decidiu atacar os dois

A disputa entre Silas Malafaia, Pablo Marçal e Jair Bolsonaro é muito mais do que um simples confronto de personalidades, é uma manobra estratégica de poder. No mesmo culto em que assumiu a “missão dada pelo Espírito Santo” de derrubar Marçal, Malafaia expôs uma realidade política que muitos ignoram: ele sabe que o cenário mudou e que tanto Bolsonaro quanto Lula já não são os reis indiscutíveis do jogo político.

Malafaia, há muito calejado na política, percebeu que os líderes populistas não têm mais o mesmo impacto que antes. Eles não garantem automaticamente vitórias para seus apoiados mas, ao mesmo tempo, os candidatos não podem se dar ao luxo de falar mal deles. Em São Paulo, Bolsonaro ficou em cima do muro, com “um pé em cada canoa”, enquanto Lula ficou praticamente ausente da campanha de Boulos, mas o efeito foi o mesmo: os candidatos caminharam sozinhos.

Bolsonaro hesitou em apoiar Marçal abertamente, temendo perder apoio de sua base fiel. O presidente preferiu manter distância em várias disputas, como em Curitiba, onde Cristina Graeml concorria e ele não quis tomar partido claro para não prejudicar alianças com outros grupos políticos. Malafaia, experiente em detectar fraquezas, viu essa hesitação como um sinal claro de que Bolsonaro não está disposto a sacrificar nada pelo seu apoio incondicional.

O que ficou evidente para Malafaia é que o verdadeiro peso político dos líderes populistas, como Lula e Bolsonaro, mudou. Seus nomes continuam importantes, mas sua influência direta nas urnas está em declínio. Basta aos candidatos de direita não criticar abertamente Bolsonaro, e o mesmo vale para os de esquerda em relação a Lula. Ninguém quer brigar com eles, mas também não precisam desesperadamente de seu endosso público.

Ao perceber essa mudança, Malafaia se reposiciona de forma contundente, tentando reivindicar um espaço de poder que, segundo ele, é seu por direito. Ele entende que, para muitos, a simples ausência de crítica já basta, e que a era em que o apoio explícito de Bolsonaro ou Lula era essencial pode estar acabando.

Seu ataque calculado a Marçal e sua crítica a Bolsonaro revelam um movimento estratégico para reafirmar sua relevância no cenário político. Malafaia tenta deixar claro que, mesmo em um campo onde todos hesitam, ele está disposto a fazer o jogo pesado.

O radicalismo islâmico e os terroristas mais perto do que imaginamos

A ameaça do radicalismo islâmico está mais próxima do que muitos brasileiros imaginam. A eliminação do xeque Abu Haya, durante ataques israelenses ao Líbano, expôs uma verdade inquietante: ele não era apenas um líder do Hezbollah, mas alguém que havia atuado no Brasil por anos, radicalizando jovens em escolas e mesquitas. Durante seu tempo no Colégio Islâmico Brasileiro e na Mesquita do Brás, em São Paulo, ele propagava a ideologia extremista do Hezbollah, um grupo terrorista financiado pelo Irã, que há décadas impõe sua versão militante do islamismo xiita em diferentes regiões.

Abu Haya usou sua posição no Brasil para doutrinar e influenciar jovens, disseminando a narrativa do Hezbollah como defensor da resistência islâmica, enquanto plantava as sementes da radicalização. Esses vínculos entre o Brasil e grupos terroristas do Oriente Médio revelam algo preocupante: a infiltração silenciosa de organizações terroristas no país. E isso não é novo. A Polícia Federal já realizou operações para prevenir atentados terroristas no território nacional, inclusive ações planejadas pelo próprio Hezbollah.

Muitos brasileiros, no entanto, permanecem alheios a essa realidade. A mídia, dominada por uma agenda ideológica, muitas vezes prefere abraçar causas simplistas, como a defesa da Palestina de “rio ao mar”, um slogan antissemita, sem entender as complexidades e a brutalidade de grupos como Hamas e Hezbollah. É um fanatismo político que cega e o resultado é um discurso desconectado da realidade, no qual se ignora o verdadeiro problema: o terrorismo.

Os cristãos

Essas organizações terroristas não têm como único alvo os judeus, como muitos parecem acreditar. Existe uma frase repetida entre terroristas: “primeiro o povo do sábado, depois o povo do domingo”. Isso significa que, depois de eliminar os judeus, os cristãos são o próximo alvo. O objetivo final dessas organizações é claro: impor uma teocracia islâmica em escala global, suprimindo todas as outras religiões e ideologias.

E não pense que isso está longe da nossa realidade. A infiltração de radicais no Brasil não é ficção. O Hezbollah é uma organização militarizada com mais de 10 mil combatentes e uma rede de apoio internacional que inclui nosso próprio território. Além de suas atividades no Líbano, o Hezbollah usa suas conexões na América Latina para angariar fundos e recrutar apoio. Faz isso se misturando com grupos criminosos, traficantes e ditaduras. A falta de conscientização da população brasileira é um prato cheio para essas organizações que, enquanto não enfrentam resistência, continuam a operar livremente.

No Oriente Médio, até mesmo alguns líderes muçulmanos se voltam contra o Hamas, proibindo inclusive que seus seguidores rezem por essa organização, tamanha é a opressão que eles impõem ao povo palestino. No entanto, aqui no Brasil, figuras públicas parecem querer ignorar essa realidade. Em vez disso, vemos líderes que se aproximam de regimes como o do Irã e do Catar, países que oprimem mulheres e minorias. O comportamento complacente de figuras como Janja, a primeira-dama, que usa lenços pró-Palestina enquanto visita países onde os direitos das mulheres são praticamente inexistentes, reflete uma dissonância cognitiva perturbadora.

Mulheres

Essa aproximação com regimes teocráticos e opressores é mais do que simbólica. Enquanto o governo Lula constrói laços com ditaduras, desconsidera o impacto disso nas relações internacionais e nos valores que a sociedade brasileira deveria defender. Se, por um lado, há uma retórica de “empoderamento” nas fotos de reuniões de mulheres no governo, por outro, há a realidade de alianças com países que suprimem os direitos das mulheres. O que fica no final das contas? A retórica de direitos para o público interno e o apoio tácito à opressão internacional.

Essas conexões com ditaduras não são apenas uma questão de política externa; elas têm reflexos internos. A tentativa recente de mudar “mãe” e “pai” para “parturiente” e “responsável legal” nos documentos oficiais é um exemplo claro de como a ideologia pode minar direitos fundamentais. Ao rebaixar a mulher ao papel de mera “parideira”, estamos assistindo a um apagamento gradual dos direitos conquistados. 

E isso é exatamente o que o radicalismo islâmico faz: sufocar direitos e liberdades pouco a pouco, até que uma ditadura teocrática esteja estabelecida. O Irã, o Afeganistão e o Paquistão, que já foram sociedades com uma vida urbana vibrante, hoje vivem sob o jugo de regimes opressores.

Submissão

O brasileiro, por sua vez, parece ser mais movido pelo medo do que por qualquer outro sentimento. Se votam no Lula por medo do Bolsonaro, ou no Bolsonaro por medo do Lula, imagine como reagirão diante da ameaça real do terrorismo? A tendência será de submissão, e essa passividade pode nos custar caro.

Antes que seja tarde demais, o Brasil precisa acordar para a realidade que o cerca. Terrorismo, radicalismo islâmico e o apagamento de direitos não são ameaças distantes. Eles estão aqui, entre nós, e precisam ser enfrentados com seriedade e coragem. Se não houver resistência agora, o medo vai tomar conta, e o preço será pago por todos.

Cadeirada ressuscita Datena

A cadeirada que Datena deu em Pablo Marçal no debate da TV Cultura ressuscitou a sua imagem de forma inesperada. Mas vamos esclarecer: não se trata de achar certo ou errado, e sim de entender um fenômeno. O público brasileiro, ao contrário do mito de ser pacífico, tem um gosto pelo discurso violento. A violência se tornou um espetáculo que, para muitos, lava a alma. Quem não gosta de Pablo Marçal provavelmente sentiu um certo prazer com a cena da cadeirada, um sentimento que os alemães chamam de “Schadenfreude” — o prazer de ver quem você não gosta se dar mal.

E é aqui que a coisa fica perigosa: Datena, outrora tachado de fascista pela esquerda por defender a polícia, agora é comemorado por uma parte dessa mesma esquerda que vibrou com a agressão a Marçal. O cinismo chegou a tal ponto que a linha entre agressão física e verbal se borrou no imaginário coletivo, como se fossem a mesma coisa. Não são. O público gosta de quem humilha, seja na TV, seja nas redes sociais. É por isso que influencers ganham espaço, não pelo conteúdo mas pelo ódio direcionado a alvos específicos.

Marçal, por outro lado, tentou transformar a agressão em um espetáculo próprio, saindo para o hospital, mas a dissonância foi evidente. Afinal, ele é o mesmo que incitava seus seguidores a “dar um soco na cabeça do tubarão” e que chamava os outros de frouxos por não nadarem com cobras. Quando ele toma uma cadeirada de um senhor idoso e faz cena de hospital, algo não bate com a imagem de durão que ele construiu. Datena, por sua vez, não chamou para um duelo justo; atacou de maneira inesperada, quase pelas costas. É uma ação que, em culturas onde brigas corporais são comuns, seria vista como covardia.

Esse cenário reflete uma sociedade adoecida, onde a violência virou centro dos debates políticos. E por quê? Porque o público gosta. Na política, isso se torna um jogo de quem consegue ser mais violento, mais agressivo, mais reativo. É uma espiral que desce cada vez mais para a lama moral, não só na política, mas em todas as esferas de liderança.

Nenhum grupo de primatas evolui com uma liderança reativa ou violenta. O macho alfa, de fato, é quem mantém o grupo unido com autoridade, não com reações descontroladas. Mas na nossa sociedade, o conceito de “ser homem” se perdeu em atos de covardia mascarados de bravura. O confronto de Datena e Marçal, com a troca de ofensas e cadeiradas, reflete essa distorção: o que é ser homem? É bater? É ser reativo? A resposta deveria ser muito mais profunda do que isso.

Nosso desafio agora é sair dessa lama. Agressividade e violência como métricas de liderança não nos levarão a um país melhor, seja pela direita ou pela esquerda. Precisamos de uma bússola moral clara para avaliar o certo e o errado, independente de quem está envolvido. Enquanto continuarmos aplaudindo o espetáculo da violência, vamos escolher lideranças descontroladas em todas as áreas: na política, nas empresas, no entretenimento. A mudança começa com o eleitor, com o cidadão comum, impondo respeito e exigindo mais do que show e agressão. Precisamos de líderes que façam a diferença pelo que constroem, e não pelo risco que representam. E só quando entendermos isso, talvez, possamos virar a página para um futuro melhor.

Eu tenho medo de dizer minha opinião sobre a proibição do X no Brasil

Eu tenho medo de dizer a minha opinião sobre a proibição do X no Brasil. Sabem por quê? Atrai uma má sorte danada. Vocês não imaginam o azar que dá falar disso. E eu sou muito supersticiosa.

Mas não é só por causa de superstição infundada não. Eu resolvi desafiar as forças do universo e já provei dessa onda de más energias que inundam a vida da gente. Resolvi contar esse causo.

Volto a 25 de agosto de 2022. Na época, eu apresentava um programa com o diretor de jornalismo de O Antagonista, Felipe Moura Brasil. Um dos cortes na internet tinha o título “Transformar Alexandre de Moraes em Batman não salvará a democracia”. No mesmo dia resolvi escrever uma coluna com esse título.

Tsunami de azar

Ali se formou a onda de má sorte que se converteu em um verdadeiro tsunami de azar. Dias depois, o ministro responsável pelos inquéritos secretos das fake news decidiu tornar públicas algumas das informações. Não era nada sobre mim.

Mas, ali no meio, havia um trecho do inquérito. Nesse trecho estava o meu nome. Eu era acusada de fazer parte do Gabinete do Ódio. Estranhei. Acionei meus advogados, André Fróes e Bruno Andrade de Souza. Trabalharam duro e tiveram muita paciência comigo. No final das contas, eu não estava no inquérito porque a tal denúncia foi considerada inepta pela Polícia Federal. O denunciante acusava vários famosos, até gente do Judiciário. Parecia ter dito todo nome conhecido que vinha à cabeça.

Parecia resolvido, mas a maré de azar continuou. Resolveram me cancelar mentindo que eu era investigada. Pior, inventaram toda uma história sobre a minha vida, que é pública há 28 anos. Eram acusações insustentáveis, mas pouco importa para o Supremo Tribunal da Internet. A coisa se arrastou, virou outros processos judiciais, tive bloqueio de contas bancárias, só resolvi este ano. Uma confusão enorme e comprida por uma mera opinião de alguém que não manda em nada nesse país, não tem família poderosa nem vocação para patriota EAD. É muito azar, daquelas coisas de filme.

STF

E, vocês sabem, eu trabalhei no STF. Tenho muito orgulho do trabalho que fiz, ganhei ali alguns dos principais prêmios da minha vida profissional. Meu trabalho foi premiado em Nova Iorque pelo UNICEF como o melhor do mundo. A equipe que eu liderava, com dezenas de pessoas, ganhou 14 prêmios nacionais na área de comunicação.

É uma honra para uma cidadã ter a oportunidade de servir a Suprema Corte de seu país. Ali aprendi muito sobre como funciona por dentro a máquina do poder, um diferencial determinante para a minha profissão e minha visão de mundo. Conheci pessoas muito competentes, sérias, dedicadas e comprometidas com o serviço público e os cidadãos. Sobretudo, no STF fiz amigos fiéis de quem gosto demais e vou carregar por toda a vida. Confio no Poder Judiciário.

Dito isso, deixo em aberto um questionamento: quem é o representante do Xvideos no Brasil?